terça-feira, 21 de julho de 2009

Diário de Bordo (15) - Cansado, mas feliz.

A viagem pra França foi exaustiva, mas muito prazerosa. No fim da jornada estava me sentindo um zumbi. Um zumbi feliz da vida e em plena satisfação por ter visitado aquela cidade que só via em livros de história, em programas de televisão. Por várias vezes os pés latejaram, mas a busca por ver Paris era um analgésico natural que me fez por várias vezes esquecer a dor. Não só isso, sono também... Era difícil eu ter sono. Não só pelo fuso, mas por que o dia ficava claro até às 22 horas. E outra... eu estava na França e as horas deveriam e foram aproveitadas segundo a segundo.

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Um senhor contemplando o prédio do parlamento...

Mas o santo é de barro. Chego em Londres quebrado de quilômetros percorridos, pouquíssimas horas de sono – afinal hostel não é local pra se ter um sono contínuo. Vez ou outra a luz era acessa, vez ou outra eu acordava pra ver se minha mala estava no lugar. Dividir quarto com 10 pessoas que você não conhece não é tarefa fácil.

O dia seguinte em Londres serviu pra ler meus e-mails e fazer contato com os amigos e família no Brasil (o que não consegui fazer em Paris) além de dormir... e muito!

Volto da França conhecendo algumas particularidades do local. Volto conhecendo a história da famosa Torre Eiffel; O Louvre; O Palácio de Versalhes; O Rio Sena... além, é claro, de algumas palavras básicas como bom dia (bonjour), boa noite (bonsoir), com licença (excusez-moi), por nada (de rien ) e saída (sortie) - o que eu vi muito no metrô (que se pronuncia métro).

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Japonesas em turismo pela França

A França é uma taça de vinho a mais do que as pessoas falam (ou quem sabe uma garrafa de vinho inteira!). Só vindo pra conhecer. Seja na arquitetura com ruas estreitas e prédios altos. Seja na sofisticação dos cafés. Sejam nos jardins bem cuidados e noite iluminada.

Agora tenho a França nas fotos e na minha história!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Diário de Bordo (14) – Quase não consigo voltar para Londres.

Entrada do Louvre
Oba! Hoje foi dia de café da manhã no hostel. Pão francês, o autêntico, com manteiga e suco de laranja. Que maravilha! Hoje começo o dia de mala nas costas. Meu ônibus está marcado pras 23 horas. O que fazer durante todo dia com essa carga?


Ontem passei rápido pelo museu do Louvre, foi apenas a parte externa. Fiz algumas fotos, lembrei do filme O código Da Vinci e vi os turistas deslumbrados com aquelas pirâmides de vidro. Decidi, ali mesmo, entrar no museu no dia seguinte. Foi o que fiz.

Compro meu ingresso. Sou revistado. Subo em direção a entrada propriamente dita. “-Não pode entrar de bolsa”, escuto. “-Sim... e o que faço?”, peguntei.”-Ali tem um porta malas, deixe sua mala lá e em seguida está liberado para entrar”, respondeu a recepcionista. Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Não tinha um hostel para acomodar minha mala, mas tinha o Louvre.

Diante do Louvre por onde começar? A Monalisa. Não só eu, mas todos os turistas estavam indo em direção ao famoso quadro. Aliviei o passo. A Monalisa não deveria sair do museu nos próximos 100 anos. Escuto uma voz em português falando... era uma excursão do Brasil. Foi muita sorte. Aula de arte na minha língua.

Dentro do Louvre
Segui o grupo como um hospedeiro. Quando seguiam para direita, eu seguia também. Quando seguiam para esquerda, seguia junto... quando paravam, eu ficava parado olhando o teto mas com o ouvido naquele pequeno grupo, atento a cada história, a cada subjetividade das obras. Oportunidade única!

Tudo sairia perfeito se próximo ao final, minha garrafa de água, com 500 ml, de acrílico, caí e quebra no local mais movimentado do Louvre. Todos olham. “Não acredito!” (risos). Não tinha o que fazer a não ser ver a água se espalhando em cada pisada dos visitantes.

O grupo vai embora. O Louvre tinha muito mais para se descobrir. Só viajando sozinho para ter todo esse tempo, sem estresse, sem demora. Sigo caminho, afinal minha mala está bem guardada e eu tenho até as 23 horas pra pegar meu ônibus de volta pra Londres.

Sigo para a rodoviária. Eram 19 horas. Eu ainda tinha 4 horas em Paris, mas sem energia pra ir a lugar algum.

E pra passar o tempo surge um Venezuelano, que mora na França, fala Português e estava indo encontrar a namorada em Londres. Aí o tempo passou rápido. Ele não só sabia cantar o “Bonde do Tigrão”, sem nunca ter ido ao Brasil, como sabia todos os xingamentos em português. Rimos muito! Até aprendi uns em inglês. (risos).


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Típica garota francesa esperando o tempo passar...

O ônibus desse meu mais novo amigo sairia às 21, o meu às 23. “- Passar todo esse tempo sem nada pra fazer ?", falei. Eis que surge a idéia de tentar uma transferência de passagem também para às 21. A desculpa foi porque que iríamos encontrar nossa família em Londres! (risos). Desculpa aceita, partimos no mesmo ônibus.

É chegada a hora de descer para imigração. Não sabia o endereço que estava em Londres, não tinha levado minha passagem de volta pro Brasil, estava com pouco dinheiro. E agora? "Não conseguirei passar para Londres?", foi o que pensei. Vejo um jovem com passaporte brasileiro. “- Me ajuda aqui”, falei. “-Não sei o endereço da casa que ficarei em Londres, o que faço?”, perguntei. “- Usa o endereço desse hotel”, ele me deu o endereço do hotel que ele ira ficar. “-Mas se pedirem a reserva do hotel para comprovar?”, perguntei nervoso.”-Eu também não tenho a reserva”, ele respondeu. “-Então se ficar, fica nós dois aqui!”, completei! (risos)

Foi mais difícil que passar pela imigração da ida direto pra Londres. Depois de várias perguntas sobre minha vida, o que eu vou fazer em Londres, o que faço no Brasil ele carimbou meu passaporte. Por pouco, muito pouco não entro em Londres novamente.

Sigo na cansativa viagem. Chego num dia frio em Londres.

sábado, 18 de julho de 2009

Diário de Bordo (13) - Um mundo de palácio.

Entrada do palácio
Acordo pela manhã com o administrador do hostel falando:”- Já são 9 horas, hora de fazer o check out”. Ainda bem que estava finalizando minha mala, mas ainda precisava comer alguma coisa pra agüentar o dia de andanças pela capital francesa. Como meu cereal, tomo meu suco de caixa. Sigo meu rumo. Rumo ao próximo hostel. Precisava deixar a mala em algum lugar e mergulhar novamente em Paris.

Depois de várias estações. Linha verde, amarela, laranja... de tudo quando é cor, acho meu hostel. Na entrada um bar bem estilizado, por trás um hostel bem aconchegante. Melhor do que os outros por onde havia passado. Quem era o recepcionista do horário? Bingo... um brasileiro. Isso facilitou um bocado minha vida, enfim falava um pouco de português. Como nos outros, neste também não havia espaço particular para guardar mala. Usei da mesma confiança que das vezes anterior e caí em campo.

E sempre a difícil pergunta do dia... Para aonde vou hoje?

Sempre me falaram do Palácio de Versalhes. Sempre ouvi na televisão principalmente durante a copa do mundo na França. Sabia que era um pouco distante e o acesso seria através de um trem. Não tive dúvidas, o “passe” que eu comprei dava direito a transitar por toda a Paris, inclusive para Versalhes, peguei o trem e fui!

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Palácio de Versalhes

Durante a viagem de trem encontrei alguns outros brasileiros. Do meu lado sentou um baiano que visitava Paris pela terceira vez. Antes de começarmos a conversar, ele confessou que achava que eu fosse londrino. “Peraí... Londrino?”, falei. Logo veio o motivo... o livro com o qual estava tinha um adesivo gigante com o preço em libras. Aí deu pra entender! (risos)

Como brasileiro ajuda brasileiro, pelo menos nas vezes que precisei, com esse baiano não foi diferente. Depois de comentar da minha coragem de ir pra Europa sozinho e pela primeira vez, me deu todas as coordenas de Versalhes. Desde a posições geográfica e história ao gigante jardim e museu. Despedi-me e saí rumo ao destino: o gigantesco e fantástico Jardim de Versalhes.

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Criança contemplando o jardim de Versalhes

Um dia seria muito pouco pra conhecer todo o jardim. De cima eu conseguia ver a grandiosidade do local. Coisa de filme! Tudo limpo, jardim bem cuidado. Vejo os jardineiros e começo a conversar. Tudo era muito simétrico e como se conseguia isso? Eles me explicaram todo o funcionamento de corte daquelas árvores. Todas com um formato diferente de tudo que eu já vi. Eles levam, para podar cada uma, pelo menos 4 horas. Corte rente que faz parecer feita de espuma artificial. Cada árvore é podada 2 vezes por ano. Por isso não era a toa toda aquela beleza!

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Passeio de barquinho em Versalhes

Mais meia hora para chegar ao centro de Paris, de trem. Durmo durante a volta. Perco a parada. Quem está ao meu lado? Não... não é um brasileiro, é um japonês que me ajuda desta vez. Desço e sigo rumo a Catedral de Notre Dame.

O que mais me chamou a atenção em Notre Dame foi a naturalidade que uma missa é realizada durante a intensa entrada e saída de turistas, com suas máquinas e suas conversas. Tudo é projetado pro turismo, e a única coisa que se pede na igreja é uma doação. Saio de Notre Dame, volto ao hostel, tomo um banho. Versalhes tirou toda minha energia.

O que tem pro jantar? Comprei Lasanha de microondas. Quem me ajudou na cozinha? Um grupo de suíças. Ainda me queimo e riem de mim. Todo mundo estava cozinhando e eu, preparando da forma mais fácil possível, ainda me dei mal! Elas falavam um pouco de espanhol também. Quando eu esquecia alguma palavra em inglês, tentava um plano B!

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Palácio de Versalhes


Divido o quarto com um Japonês que me ajuda a carregar minha bateria com seu super-mega-master adaptador para qualquer tomada do mundo. Desço, afinal estou num bar. Encontro um coreano que também está jantando e começamos a debater as diferentes culturas. Eu não sabia, por exemplo, que na Coréia não se pergunta quantos anos você tem, mas o ano que você nasceu. Simples, mas achei interessante!

Cai uma chuva, todos entram. Eu precisava repor as energias. Amanhã seria o dia mais longo, já que sairia de mala nas costas e dormiria num ônibus em mais uma cansativa viagem.
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