sábado, 11 de julho de 2009

Diário de Bordo (8) - Bem que eu poderia ir à Paris...

A programação de hoje seria praia numa cidade próxima daqui... seria. O céu estava nublado, frio, tive que ficar em casa. Mas o motivo justifica esse um dia enclausurado numa casa em Londres...

Decidi! Vou pra Paris!

Não vim preparado. Não comprei guia, não sei falar francês. Mas como diria um dos meus cantores preferidos... “tolice é viver a vida assim, sem aventuras” (risos!) Mas a aventura tem que também ser programada, então foi que fiz hoje, pesquisas.

Comecei comprando a passagem. Embora as coisas aqui sejam muito "próximas", elas custam. Eu, como um “iniciante financeiro” tenho que ajustar bem, afinal a pior aventura que poderia existir é voltar ao Brasil sem dinheiro para pagar as contas. Pensando nisso fui às escolhas.

Meu único planejamento...

Passagem de ônibus de ida e volta. Londres para França saindo da estação Victória (aquela que dá no Palácio da Rainha Elizabeth), metade do preço de avião. Hospedagem? Albergue. Do que mais é preciso que um banheiro pra tomar banho e uma cama pra cochilar? Vou na segunda a noite dormindo no busão, chego em Paris pela manhã. Pernoitarei terça, quarta e quinta. Volto pra Londres na sexta. O busão sairá às 23 horas da sexta e chegará em Londres no sábado.

Como foi em cima da hora não consegui as três noites no mesmo albergue. Então serão 3 albergues. Tem um que tem uma cervejaria dentro. Devo ter muita história pra contar depois. Caso, é claro, eu seja o sóbrio dessas histórias! (risos)

Resumo do dia: Google, Google, Google... contatos, e-mails, leituras, mapas entre outras coisas mais. Preciso ter pelo menos uma noção de onde irei parar!

Paris... aí vou eu! E seja o que Deus quiser!

Diário de Bordo (7) - Esperando a noite chegar...


Hoje eu tirei o dia pra fotografar a noite de Londres e tentar conseguir fotos legais. Mas aqui o dia começa a escurecer às 21:30 mais ou menos. O dia é bem mais longo que no Brasil. Mas como objetivo é objetivo, e esse só dependia de mim, eu tinha que procurar o que fazer nessas mais de 13 horas que ficaria no centro da cidade. Mas, tratando-se de Londres isso não é nada difícil.

Comecei meu dia na estação Victoria, essa daí dá no Palácio de Buckingham. Li no meu guia que a troca de guarda acontece às 11 horas e eu tinha pouco tempo pra chegar lá.

Lotadas estavam todas as ruas que dão acesso ao Palácio. Gente, gente... parecia Olinda em época de carnaval, só que nesses caso, não era fantasia que a turma estava vestindo, embora parecesse, mas a roupa do seu país de origem. E eu, vestido como um brasileiro que sou, tentava pacientemente um local pra fotografar aqueles “soldadinhos de chumbo” de Elizabeth que não havia visto no dia anterior.

Foram umas 30 fotos, para apenas 5 valer. Tinha mão de turista, tinha cabeça, menos os “soldadinhos de chumbo” de Elizabeth! (risos). Inúmeras vezes eu tinha que levantar a câmera pra ver se captava alguma coisa, afinal com 1,68 m eu sou baixinho em qualquer lugar do mundo.

Depois de sair daquela lata de sardinha humana segui rumo ao Big Ben, novamente, para conseguir as fotos que a bateria, ontem, não me deixou. O sol hoje estava legal, o céu também. Eis que surge o jardim paralelo ao Rio Tâmisa. Não resisti. Deitei na grama. Liguei meu mp3 que tocou “Viva La Vida”, de Cold Play. Devo ter repetido essa música umas 10 vezes. Essa foi a trilha oficial da viagem, embora tenha feito uma seleção de Bealtes, Stones, Oásis... É de arrepiar!

Segui rumo ao Lamberth Palace. Trata-se de primeira biblioteca pública da Inglaterra, tem um estilo medieval, muito bonito. Enquanto seguia para o London Aquarium vi do outro lado toda a estrutura do Big e do Parlamento. “Eu tenho que tirar uma foto daqui, mas quem poderia me ajudar?” Não, não foi o Chapolin Colorado (esse deveria estar no México), foi um fotógrafo inglês que estava com sua mega câmera! Depois de dar as coordenadas ele tirou umas 5 fotos. A especialidade desse inglês é tirar fotos apenas em preto e branco. Discutimos a dramaticidade da foto preto e branco frente à colorida (eu... filosofando em Londres! (risos)).


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A foto do fotógrafo. Ao fundo, o Parlamento e o Big Ben


Andei por vários lugares, tirei várias fotos... Foram do London Aquarium, Dalí Universe, British Airways London Eye, Jubille Gardens, Royal Festival Hall, Royal National Theatre, Gabriel’s Wharf, Oxo Tower, Tate Modern até que cheguei no Millennium Bridge, uma ponte bem moderna que foi construída em 2000. A primeira ponte apenas para pedestre sobre o rio Tâmisa, esta deu na St Paul’s Cathedral.

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 Millennium Bridge


Depois dessa grande caminhada fiz o trajeto de volta ao London Aquarium. Afinal a noite iria demorar a chegar. Sento no banco. Ao meu lado senta um casal de Japonês falando daquele jeito que só eles sabem. “Essa é a hora de me comunicar com um Japonês sem falar Japonês”, pensei eu (muito louco!). Enfim, eles estudam numa universidade que fica a uma hora e meia de Londres, estavam lá para curtir a cidade etc.

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Criança contemplando rio...


Na minha espera para o dia escurecer ainda conversei com um Americano que estava de férias também. Conversamos sobre como é a diferença do inglês britânico e do americano. Falei que era parecido com o português de Portugal e o português do Brasil. Foi ele quem me disse que a luz do Big Ben acendia às 21 horas. E o dia ainda estava claro.

Quando finalmente começa a escurecer chegam dois italianos, um falava italiano e inglês, o outro italiano e "portunhol". Como eu não falava italiano eu tinha que variar entre o Português e o Inglês numa mesma conversa! E o mais engraçado de tudo era quando eu não sabia uma palavra em inglês, falava em português pra um, este traduzia pro italiano pro outro amigo, e este outro amigo falava em inglês. (risos).

O dia finalmente escurece. Eram 22 horas. Eu precisava adiantar as fotos. O metrô funciona até a zero hora e eu não poderia ficar ao relento.

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London Eye à noite



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Movimento na noite de Londres próximo a estação

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Diário de Bordo (6) - A bateria da câmera acaba na segunda foto do dia.

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Família curtindo uma tarde no Kew Royal Park

Hoje o dia foi um dos mais bonitos até agora. O céu estava azulzinho, o sol estava brilhando. Sai de casa feliz. Afinal o dia renderia boas fotografias. Parti rumo ao Big Ben, o ponto de onde havia parado no dia anterior. Achei que ficaria legal o reflexo do sol naquela estrutura dourada e ao fundo o céu azul. Dei dois cliques. Eis que a máquina para de funcionar. O que seria? Isso mesmo. A bateria acabou!

Imaginem minha angústia ver um dia fantástico, de sol, céu azul, e eu sem a máquina?

O sol parecia que brilhava cada vez mais. O céu parecia que ficava cada vez mais azul. Comecei a ver várias máquinas iguais a minha com os turistas. Nunca vi tanta Nikon pendurada no pescoço dos outros como vi nessa hora. Para cada lado eu imaginava uma foto. Não só uma foto, mas a melhor foto de toda a viagem, a que poderia ter fotografado naquele momento. Mas o que fazer agora?

Respirei fundo. Continuei minha caminhada. Eu tinha que fazer daquele dia um dos mais interessantes mesmo sem minha companheira.

Vi muitas pessoas entrando no sede do parlamento inglês. Pensei: "- Talvez essa seja a minha chance de ver como funciona a política na Inglaterra". Perguntei como poderia entrar. Depois de passar por uma série de revistas, algumas medidas de segurança (para o parlamento, claro) entrei no recinto. O que me confortava é que ficava bem claro que não poderia fotografar. Acredito que se a câmera tivesse funcionando eu iria usar a mesma técnica de espionagem da academia de arte. Mas não pensei nisso. Eu não queria era ver o céu e o sol!

Passei uns 30 minutos esperando ter lugar na platéia. Enquanto isso conversei com um americano que era assistente judiciário em Washington D.C. Quando falei que era do Brasil, Pernambuco, Recife, ele me falou que tinha uma amiga em Washington que os pais dela moravam em Recife. Conversa vai, vem e chega a hora de entrar na sessão.
Muito bonito o parlamento desde a sua entrada (algo de estrutura gótica) até a sala onde acontecem as discussões. É uma mistura de antigo com o moderno. Difícil de explicar. O que eu gostei realmente de presenciar foi a reação do público diante dos posicionamentos tanto do governo quanto da oposição. Hora riam, hora murmuravam. E numa educação que eu nunca vi. Era o líder pedir calma que todos se calavam (igualzinho ao Brasil).

Saí do parlamento. Passei uns 30 minutos. O mesmo tempo para entrar. Eles falavam muito rápido não deu pra entender muita coisa. Passei esse tempo contemplando a estrutura e as reações, estas são universais.

Continuei minha caminhada, vale lembrar... sem máquina. Rumo ao centro, mesmo local onde já havia passado. Foi um conforto pra não ter que ter vontade de fotografar já que as fotos já estavam em casa. Fui a uma loja, do tipo C&A comprar uma camisa com o nome LONDON.

Kew Royal Park
Voltei pra casa muito cedo. Mas tinha um plano B.

Coloquei minha bateria pra carregar, respondi meus e-mail, acessei a net (pra ganhar tempo). Máquina ok, fui para o Kew Royal Park andando. Eu estou no bairro chamado Kew Garden e bem próximo tem um local onde há vários espaços com espécie de plantas de todo o mundo. Li que é patrimônio da humanidade desde 2004. Fui conferir o que havia lá.

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Espécie de vitória régia no Kew Royal Park


Verde, verde, muito verde, o que renderam fotos muito boas. Seja da senhora contemplando a natureza, seja das crianças brincando, seja dos animais interagindo. No parque estava acontecendo uma festa em comemoração aos 125 anos do parque. Uma banda estava tocando Beatles e haviam várias barracas que vendiam de comida à produtos da copa da África do Sul.

Hoje não só ganhei fotos legais como a experiência da improvisação. Quando tudo parecia está perdido... encontrei uma alternativa.
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