sexta-feira, 24 de julho de 2009

Diário de Bordo (20) - Aventura até na volta pra casa.

Chego à estação. Pego o metrô para o aeroporto de Heathrow. E quando parecia que as aventuras tinham tido um fim, o metrô quebra. “O que foi isso?”, pensei. Vejo todos os passageiros saindo de mala em direção à saída. Não sabia para aonde eles estavam indo. Segui. “Devem estar indo ao aeroporto”, pensei. Afinal, todos estavam com malas de viagem.

Na dúvida resolvi perguntar “Para aonde estamos indo?”, uma senhora informa que todos estão em busca de um ônibus para ir ao aeroporto. Nem ela, nem ninguém sabia qual seria o ônibus necessário. Em seguida recebemos um papel com o nome de todos os ônibus. Pegamos um. Não parou por aí. Foram três ao final.

A cada parada, incertezas. “Será que estamos indo em direção ao caminho certo?”, é levantada a questão. Dentre uma parada e outra surgem moradores locais que nos orientam nessa caminhada rumo a Heathrow. E o tempo passa. A hora do check-in chega e nada do aeroporto surgir.

Entre um ônibus e outro, caminhada. Sigo eu minhas três malas. À frente a senhora que me adotou como neto por aqueles minutos. Estavam ela e o marido, ambos dos Estados Unidos. Repetidas vezes a vi conferindo se eu ainda estava lá trás. Eu tinha uma única orientação: o papel que estava com ela.

Chegamos ao aeroporto. Falta pouco tempo para o check-in finalizar. Agradeço a minha “vó do busão” e corro como um atleta de 100 metros rasos. A respiração fica ofegante, começo a suar. Corro as esteiras rolantes pedindo licença, desculpa e às vezes nem era necessário, o barulho do carrinho de bagagem já falava o quanto de pressa vinha alguém atrás.

Chego ao terminal 1 conforme estava escrito na minha passagem. Peço informação. “- Onde é o balcão da TAP?” "-Terminal 2", responde um funcionário do aeroporto. “-Sério?”, pergunto novamente. “-Pelo menos é o que está aqui no papel”, responde o funcionário. Eu havia descido do ônibus no terminal 2, teria sido em vão todo meu esforço?

Chego no terminal 2 mais ofegante que nunca. Suado, cansado de tanto trocar as malas de carrinho em carrinho, de subir escada rolante, de correr na esteira rolante. Faço a mesma pergunta a outro recepcionista. “Onde é o balcção da TAP?”. “-Senhor, é no terminal 1”, responde a recepcionista. “O que? Meu Deus eu não acredito! Você ta falando sério? Vim de lá agora. Ajude-me! Vou perder meu vôo!”, falei num tom de desespero e mais ofegante que nunca!

Depois de receber todas as coordenadas dessa recepcionista e receber um “-Boa sorte!” segui rumo ao terminal 1. Era tudo ou nada. Corri. Desta vez não como um atleta de 100, mas de 50 metros rasos. Era minha última chance de não perder o vôo.

Chego ao terminal 1. Vejo que uma gama de opções são oferecidas. Descubro que o número dois que me foi mostrado da primeira vez não era do terminal e sim do andar. Não tenho tempo de consertar quem me deu a informação errada. É hora de correr ainda mais e achar o balcão naquele mundo de lugar!

Acho o balcão da TAP. Furo fila pra não perder meu vôo. Chego na “lâmina” do tempo. Já não via mais o relógio. A angústia iria aumentar e eu precisava de energia pra chegar em tempo. Precisava de disposição.

Consigo! Entro no avião!

A visão da janela. O sol indo embora e eu também.
Chego em Portugal. Por que eles são tão mal humorados? “- Moça, conexão para o Brasil, aonde vou?”, pergunto. “- O Brasil é muito grande!”, responde. Era difícil trocar por “- Para qual estado você vai?”. Eu não faço ponte aérea Brasil-Portugal diariamente para saber que saem vários vôos para o Brasil a partir de um único avião, como esse que veio de Londres.

Passo no Free shopping. Vejo uma mulher parada. Tenho dúvidas. “-Você trabalha aqui?”, perguntei. “- É o que parece”, respondeu a moça. “- Desculpa, eu iria pedir ajuda, mas desisti agora”, falei. “-Eu estava a brincar”, falou a moça num tom nada amigável. “- Eu procuro o que eu quero só, obrigado”.

Seria TPM nesses dois casos ou seria o jeito português de ser? É uma dúvida que tirarei apenas quando visitar esse país. Da lista, agora, é o último.

Chego ao Brasil. Fim da Viagem. Hora de me readaptar a realidade local e viver as aventuras locais. O que não dá, obviamente, para escrevê-las. Trabalho, estudo, esporte, amigos, família... uma infinidade de coisas que fazem a gente ser o que é, e talvez por isso são difíceis de descrever. Agora só em outras férias. Quando? Pra onde? Ainda é uma incógnita!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Diário de Bordo (19) - Viagem chegando ao final...

No interior do Hampton Court Palace 
Hoje é meu último dia em Londres. Amanhã tenho que sair cedo e pegar o vôo. Lugares sempre existirão pra ir. Sabia que sempre ficaria algum lugar importante pra visitar. Como despedida escolhi o Hampton Court Palace. O acesso a esse palácio só se dava através de barco ou ônibus. E, como todo brasileiro em fim de férias, escolhi o ônibus.

Em frente ao Hampton
O castelo escolhido é um dos mais antigos de Londres. Ele surgiu de uma residência campestre construída pelo cardeal Thomas Wolsey. Anos depois, para ficar bem na fita com o rei da época, Henrique, ele ofereceu a este rei sua nova casa. Henrique fez umas reformas elevando a casa ao "título" de palácio real.

O castelo realmente é fantástico. Os jardins, a estrutura... faz você voltar no tempo. Ao lado passa um rio de cartão postal. E por falar em cartão postal, fui fazer os meus!


Londres_Flickr (3)
Senhoras contemplando as margens do Rio próximo ao castelo
Vejo aquele gramado completamente verde. Deito. Ligo meu mp3. Escuto Cold Play e me dou conta do fim da viagem. Volto ao momento que tudo era idéia e chego até o momento da concretização. Estava eu, de corpo estendido no chão, olhando por céu... “Eu conheci Londres! Eu conheci Londres!”

Neste momento todo gramado era meu. Todo o céu era meu. Não estava preocupado com hora, com telefone tocando, com o que comer, beber, eu havia feito a viagem que sempre quis!

É chegada a hora de arrumar às malas.

Diário de Bordo (18) - História em cada rua.

Peças do British Museum
O dia de voltar ao Brasil está chegando. Não estou angustiado porque voltarei. A sensação de sonho realizado se sobrepõe a qualquer sentimento ruim. Afinal tinha descoberto a Londres que só via em livros.

A viagem continua e a primeira parada é no British Museum. Trata-se do maior museu da Grã-Bretanha. As obras expostas são resultados de mais de 200 anos de coleta, escavação e saque (falemos a verdade). O museu é gigante, então, mais uma vez, é necessário escolher o que visitar. Há muitos locais pra conhecer e tenho pouco tempo na cidade.

Depois de passar pela fachada com colunas inspirada na arquitetura grega, sigo rumo a galeria que fala da Pedra da Roseta. Essa pedra foi essencial para solucionar muitos quebra-cabeças do antigo Egito. Nesse museu há uma sala reservada para contar sua história. Da pedra parti para as esculturas reais da antiga civilização egípcia, passando por múmias, sarcófagos, murais entre tantas outras coisas.


Em frente ao British Museum

Por minutos ficava observando os objetos e imaginando a tecnologia usada pra montar tudo aquilo. Seja em como se mumificar um ser (inclusive animais que eram usados para rituais de sacrifício) até fazer aquelas gigantes esculturas de pedra.

Eu não havia visitado a torre de Londres ainda. É um ponto histórico que precisava fazer parte do roteiro. A torre de Londres simboliza quase mil anos da história real da Grã Bretanha. Lá estão as jóias da Coroa e o maior diamante do mundo. Logo em seguida vem a Tower Bridge. Essa passarela fica a 43 m acima do Tamisa e diariamente, até mesmo várias vezes ao dia, a pista por onde passa carros é “guinchada” para que os navios consigam passar por lá.


Tower Bridge

A caminhada tinha que continuar. Passo por locais já mais visitados (por mim) e consigo fotos muito boas. As ruas próximas à torre e em direção ao Museu do Design tem um mix de cenografia e realidade. São pubs e cafés bem "Londres" em ruas pouco movimentadas. (Talvez tenha sido por causa da chuva!)

Volto com máquina lotada de fotos. Por hoje, dever cumprido. Sigo minha caminhada à estação de Tower Hill.
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